Castelo de Lichtenstein

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sábado, 20 de julho de 2013

Carol Cacau, Pedra da Luz - Parte 4


Fiz um monte de perguntas, mas Tio Alberto foi irredutível: “Você precisa refletir sobre tudo o que ouviu. No momento certo, conversaremos mais”. Fiquei indignada, mas nenhum apelo deu resultado.

Entrei no meu quarto batendo a porta e só consegui pensar nisso, no meu dom. As provas de segunda-feira já eram. Será que eu tinha mesmo esse dom? Peguei um dos meus livros preferidos, As Viagens de Gulliver e, com o coração acelerado, respirei fundo e disse o abracadabra da Familia Licht: “Fale comigo” e... nada! Me concentrei mais e tentei de novo. Nada! Respirei profundamente, como assisti nos filmes e... Nada!

Se eu já estava indignada, agora estava revoltada. O orgulho falou mais alto e eu pensei: “Pelo menos essa vantagem eu poderia ter, tiraria 10 em todas as provas brincando”.
Parei tudo e foi recarregar as baterias com duas – eu disse duas – barras de chocolate. Deixando o chocolate derretar na boca, consegui me acalmar e raciocinar. Pensei sobre a minha família, nas festas que mais pareciam congressos do tipo vamos-discutir-sobre-tudo-e-partilhar-tudo-o-que-aprendemos. Nós, os Licht... 

Parei de repente, mal podia respirar. Lembrei que o nosso nome, Licht, é a forma reduzida de Lichtenstein, que significa “pedra da luz” em alemão. Lembrei de meu pai contando histórias sobre o castelo na Alemanha que existe de verdade e é chamado hoje de “O Castelo da Cinderela”. 
Pedra da luz... Seria eu, Carol Cacau, viciada em chocolate, uma pedra da luz? Se eu for a pedra da luz, quem seria a escuridão?

De Nilza Silza

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