Depois de uma semana perdida na escola, com a cabeça no meu
suposto dom, nenhuma concentração nos estudos e já com ódio de tanto tentar falar
com livros feito uma louca, passei por um momento realmente apavorante.
Foi no caminho da escola para casa. Preferi ir andando para relaxar um pouco, como
se fosse possível. Foi quando vi que estavam demolindo uma casa que sempre
achei linda na Avenida Santos Dumont. Fiquei arrasada. Quantas vezes não havia
passado em frente a ela, imaginando que histórias maravilhosas ou tenebrosas
não aconteceram por lá? Eu lembrava de
vários livros que contam histórias de gerações de famílias vivendo em uma mesma
residência. A casa me encantava com sua cor de açafrão suave, dois pavimentos,
várias janelas, cadeiras de balanço na varanda, tão singular em meio à
modernidade de prédios comercias com suas fachadas de vidro. Agora, sem dó,
estava indo ao chão.
Me aproximei de alguns homens que pareciam engenheiros ou
mestres de obras que estavam do outro lado da rua, apreciando o espetáculo da
demolição. Não me contive. Sem conseguir controlar o meu lado perguntador, que
já me meteu em muitas encrencas, comecei a questionar: “Com licença, senhores.
Esta casa não estava em processo de tombamento? O IPHAN foi consultado? Vocês
tem autorização judicial? Não havia outra solução como, por exemplo, apenas
adaptar a casa para uma nova finalidade?”
Enquanto fazia estas perguntas, os homens me olharam com antipatia
e desprezo. O mais alto deles baixou bem a cabeça para poder me encarar e...
Juro! Vi uma sombra em seus olhos, como se fosse uma nuvem escura atravessando
primeiro um olho, depois o outro, em sequência. Foi apenas um segundo, mas juro
que vi. Os outros dois homens trocaram um olhar de compreensão e se afastaram.
O grandão aproveitou que eu estava tremendo toda e falou baixinho: “Eu sei o
que você é. Nós sabemos. Agora que a encontramos, não há como escapar, não há
como nos vencer. Desistam!” E foi embora na maior calma.
Ainda tremendo, decidi que já era hora de saber tudo sobre
mim. Afinal, é sobre mim, não é? Tenho meus direitos! Ah, agora o Tio Alberto
vai ter que parar de bancar o Mestre dos Magos ou o Dumbledore! Me aguarde Tio
Alberto. Você vai ver como uma adolescente de 13 anos consegue o que quer. Pior ainda, como Carol Cacau consegue o que quer.
De Nilza Silva
Nilza tô
ResponderEliminartão orgulhosa de vc.essa Carol Cacau ainda vai dar o que falar